quarta-feira, 2 de junho de 2010

CLARICEANDO

Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como você me vê passar

CLARICE LISPECTOR

segunda-feira, 31 de maio de 2010

POÉTICA

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

VINÍCIUS DE MORAES

domingo, 30 de maio de 2010

UM POEMA DE AMOR

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.
suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-maridos.

principalmenteas mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas, não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar – eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só
um aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. Sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

Algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem. Outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todos têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e acarência me
sustentaram, me
sustentaram.



Charles Bukowski

tradução: Jorge Wanderley

sexta-feira, 28 de maio de 2010

AMAR:

Fechei os olhos para não tevere a minha boa para não dizer...E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,e da minha boca fechada nasceram sussurrose palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando agente mora um no outro.
MARIO QUINTANA

segunda-feira, 24 de maio de 2010

NÃO: NÃO DIGAS NADA

Não não diagas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
do que diarias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

FERNANDO PESSOA

domingo, 23 de maio de 2010

POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão.
E eu passarinho!

MÁRIO QUINTANA

FÁBULA DE UM ARQUITETO


JOAO CABRAL DE MELO NETO